Protesto bloqueia rodovias em 4 Estados

Caminhoneiros reclamam de alta em preço de combustível, pedágio e tributos e de jornada estabelecida em 2014.  Segundo associação, a intenção é que o movimento chegue ao resto do país nos próximos dias

Em protesto contra a alta dos preços dos combustíveis, dos pedágios e dos valores dos tributos sobre o transporte, caminhoneiros bloquearam parcialmente ao menos 38 pontos em rodovias estaduais e federais do Paraná, Mato Grosso, Santa Catarina e Rio Grande do Sul neste domingo (22).

Caminhões de carga, exceto cargas vivas, de ração e de leite, ficaram parados nos acostamentos.

A intenção é que o movimento, que começou na quarta-feira (18) no Paraná e em Santa Catarina, seja expandido para o resto do país ao longo da semana, de acordo com Tobias Brombilla, diretor da Associação dos Caminhoneiros de Rodeio Bonito (RS).

“O setor de transporte de carga está passando por uma crise histórica, sem que os caminhoneiros consigam ter retorno”, afirmou.

Segundo ele, os caminhoneiros do Rio Grande do Sul iniciaram a paralisação neste domingo durante a manhã e os caminhões deveriam ser liberados para seguir viagem à noite.

De acordo com as polícias rodoviárias estaduais e federais, mesmo com o protesto, os demais veículos não enfrentavam problemas nas estradas, já que o bloqueio era parcial.

O Paraná registrou a maior concentração de caminhoneiros parados, ocupando 22 pontos de estradas. Em cada trecho havia, no mínimo, 100 caminhões, segundo as polícias.

Em São Miguel do Oeste, por exemplo, havia 300 caminhões parados, segundo Vilmar Bonora, um dos líderes do movimento dos caminhoneiros no Estado.

SÓ PARA AMBULÂNCIAS

Ainda de acordo com ele, caminhões que transportavam combustível também ficaram parados, o que causou prejuízos no município. Até a tarde, três postos estavam sem combustível para venda nas bombas.

“Só passa caminhão que leva [combustível] para ambulâncias e bombeiros. O resto, fica”, afirmou Bonora.

Outra demanda dos caminhoneiros é que seja criada uma tabela de preços do frete baseada no km rodado. Eles reclamam da jornada de trabalho implantada em setembro do ano passado, que foi fixada em oito horas diárias e um adicional de duas horas extras.

Odi Antônio Zani, um dos líderes do movimento em Palmeira das Missões (RS), afirmou que os caminhoneiros estão registrando, em média, queda de 30% no faturamento mensal por causa da lei.

“Eu tinha três caminhões rodando as estradas e faturava R$ 120 mil mensais no total. Tive de vender um caminhão e meu faturamento caiu para R$ 68 mil”, afirmou.

As paralisações devem continuar nesta segunda-feira (23), de acordo com os caminhoneiros.

Fonte: Folha de São Paulo

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